sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"É melhor ser alegre do que ser triste" (Vinícius de Moraes)


Assistir televisão durante as férias não é bem o que desejei para as minhas noites e madrugadas, mas, ultimamente, esta tem sido uma constante. Mudo, mudo, mudo os canais e o que assisto: a sucessão de George W. Bush, as novas contratações dos times de futebol, preço dos alimentos sobe 12, % e puxa taxa de inflação para 4,38% em 2007, bolsa tem queda de 2,95% e encerra primeira semana do ano com perda de 4,46%, entre outras notícias de violência urbana, corrupção política. Um dos telejornais me chamou a atenção quando trouxe as previsões de 2008 através de equações matemáticas segundo o matemático Russerl Andrew de Mesquita. Este afirma que qualquer fato pode ser comprovado com números, as matrizes são o conteúdo específico; explicou através da teoria dos jogos ... não sei bem como são esses cálculos e essa teoria ... enfim, eis algumas das previsões: milagre econômico da América Latina; os governos serão mais democráticos e haverá uma melhor administração pública na América Latina e finalizou afirmando que as conseqüências dependem das escolhas que as pessoas fazem... é um chavão essa afirmação, mas, não deixa de ser uma boa reflexão para iniciar um novo ciclo que começa. Sobre as previsões, ficarei imensamente feliz se este processo de redefinição política começar este ano na América Latina... claro que é um lento processo... mas, como sou brasileira: não desisto nunca, mais um clichê!!!

Filmes??? os que sempre passam; programas de entrevistas??? a maioria reprise; os canais de televisão também estão de férias... qual é a nossa parte deste latifúndio??? contentar-nos com as reprises... umas ruins, outras boas, como é o caso do show "Som Brasil Vinícius de Moraes"; não tive a oportunidade de assistir quando passou em sua versão primeira, assisti a reprise e concluí que não posso julgar sempre as reprises como coisas ruins... voltando a falar desse show em homenagem a um grande poeta e compositor popular, começo por uma afirmação dele "Meu tempo é quando".

As composições de Vinícius foram cantadas por Gal Costa, BossaCucaNova, Chico Pinheiro, Reggae Bossa Nova... uma mistura de estilos que se harmonizavam nas eternas composições "Água de beber": "Eu quis amar, mas tive medo / O medo pode matar seu coração"; "Insensatez": "Quem nunca amou / não merece ser amado";

"Samba da benção": "É melhor ser alegre do que ser triste / alegria é a melhor coisa que existe"interpretada pelo reggae Bossa Nova e o violão de Marcel Powel acrescentou um canto novo "As pessoas não são más, só estão perdidas, ainda há tempo"...

Acredito nestas palavras, as pessoas ainda vão se encontrar e serão conscientes das suas escolhas...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O amor em diálogo

"Não há nada mais emocionante do que o amor e nada mais moral do que ele"

Segundo o tradutor Carlos Alberto Nunes, assim pode se resumir a moral shakespeariana: Julieta, a belíssima Capuleto, ama com loucura a Romeu no primeiro momento que o vê, sem saber que ele é um dos Montecchios, família inimiga. O amor dos dois leva-os a um mundo onde as conveniências se desvanecem e os acontecimentos se precipitam. Um padre franciscano casa-os secretamente, crendo que essa união aproximaria as duas famílias. Mas, um dia Romeu mata um primo de Julieta que o havia provocado e o Príncipe de Verona exila-o da cidade. Só a morte os juntaria para sempre.

Os diálogos sobre o AMOR permeiam as páginas dessa obra de William Shakespeare, eis um exemplo da poética amorosa shakespeariana nas vozes de Romeu e Julieta...

Ato I, cena V: Quando Julieta descobre que Romeu é seu inimigo.

Julieta - Como do amor a inimizade me arde!
Desconhecido e amado muito tarde.
Como esse monstro, o amor, brinca comigo:
apaixonada ver-me do inimigo!

Ato II, cena II - Jardim dos Capuletos

Romeu - Que luz se escoa daquela janela?
Será Julieta o sol daquele oriente?
Surge, formoso sol, e mata a lua
cheia de inveja, que se mostra pálida
e doente de tristeza, por ter visto
que, como serva, és mais formosa que ela. [...]

Julieta - Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu?
Renega o pai, despoja-te do nome;
ou então, se não quiseres, jura ao menos
que amor me tens, porque uma Capuleto
deixarei de ser logo.

Romeu ( à parte) - Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?

Julieta - Meu inimigo é apenas o teu nome.
Continuarias sendo o que és, se acaso
Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio?
Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto,
nem parte alguma que pertença ao corpo.
Sê outro nome. Que há num simples nome?
O que chamamos rosa, sob uma outra
designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome
de Romeu, conservara a tão preciosa
perfeição que dele é sem esse título.
Romeu, risca teu nome, e, em troca dele,
que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
[...]

Romeu - A capa tenho da noite para deles ocultar-me.
Basta que me ames, e eles que me vejam!
Prefiro ter cerceada logo a vida
pelo ódio deles, a ter morte longa,
faltando o teu amor.
[...]

domingo, 30 de dezembro de 2007

Imaginar é viver


Ao ler o livro "Quer ouvir uma história? lendas e mitos no mundo da criança" de Heloisa Prieto, a autora demonstra que para se tornar um contador de histórias ou mesmo um escritor é preciso aprender a ler e compartilhar as histórias lidas e mergulha nos caminhos mágicos das narrativas orais que fascinaram e/ou fascinam a humanidade em todos os lugares e em todos tempos. Como exemplo de narrativas consagradas temos as histórias narradas por Sherazade em "As mil e uma noites"; os contos de fadas dos irmãos Grimm, Hans Christian Andersen, Perrault; as histórias do Rei Artur; Tristão e Isolda entre outras. E aponta a importância do ato de ler e de ouvir no processo de criação:

"Como diziam os antigos gregos, Mnemósine, a musa da memória, é a mãe de toda criação. Narrativas pertencem ao grande mar formado pelo rio de histórias, como indica a palavra sânscrita Katahâsaritsâgara. Quanto mais se bebe nessa fonte, mais histórias poderão nascer no imaginário dos jovens leitores, e suas próprias ondas poderão se formar desses rios vindos de diferentes épocas e lugares." (Prieto, 1999)
A imagem ao lado mostra a deusa da memória Mnemósine, pintura de Dante Gabriel Rosseti.

Como diziam os antigos sábios da filosofia oriental "Imaginar é viver"; "porém, é preciso saber transitar por meio das vias imaginárias".
Busquemos as histórias que nos possuem...