quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O amor em diálogo

"Não há nada mais emocionante do que o amor e nada mais moral do que ele"

Segundo o tradutor Carlos Alberto Nunes, assim pode se resumir a moral shakespeariana: Julieta, a belíssima Capuleto, ama com loucura a Romeu no primeiro momento que o vê, sem saber que ele é um dos Montecchios, família inimiga. O amor dos dois leva-os a um mundo onde as conveniências se desvanecem e os acontecimentos se precipitam. Um padre franciscano casa-os secretamente, crendo que essa união aproximaria as duas famílias. Mas, um dia Romeu mata um primo de Julieta que o havia provocado e o Príncipe de Verona exila-o da cidade. Só a morte os juntaria para sempre.

Os diálogos sobre o AMOR permeiam as páginas dessa obra de William Shakespeare, eis um exemplo da poética amorosa shakespeariana nas vozes de Romeu e Julieta...

Ato I, cena V: Quando Julieta descobre que Romeu é seu inimigo.

Julieta - Como do amor a inimizade me arde!
Desconhecido e amado muito tarde.
Como esse monstro, o amor, brinca comigo:
apaixonada ver-me do inimigo!

Ato II, cena II - Jardim dos Capuletos

Romeu - Que luz se escoa daquela janela?
Será Julieta o sol daquele oriente?
Surge, formoso sol, e mata a lua
cheia de inveja, que se mostra pálida
e doente de tristeza, por ter visto
que, como serva, és mais formosa que ela. [...]

Julieta - Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu?
Renega o pai, despoja-te do nome;
ou então, se não quiseres, jura ao menos
que amor me tens, porque uma Capuleto
deixarei de ser logo.

Romeu ( à parte) - Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?

Julieta - Meu inimigo é apenas o teu nome.
Continuarias sendo o que és, se acaso
Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio?
Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto,
nem parte alguma que pertença ao corpo.
Sê outro nome. Que há num simples nome?
O que chamamos rosa, sob uma outra
designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome
de Romeu, conservara a tão preciosa
perfeição que dele é sem esse título.
Romeu, risca teu nome, e, em troca dele,
que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
[...]

Romeu - A capa tenho da noite para deles ocultar-me.
Basta que me ames, e eles que me vejam!
Prefiro ter cerceada logo a vida
pelo ódio deles, a ter morte longa,
faltando o teu amor.
[...]

domingo, 30 de dezembro de 2007

Imaginar é viver


Ao ler o livro "Quer ouvir uma história? lendas e mitos no mundo da criança" de Heloisa Prieto, a autora demonstra que para se tornar um contador de histórias ou mesmo um escritor é preciso aprender a ler e compartilhar as histórias lidas e mergulha nos caminhos mágicos das narrativas orais que fascinaram e/ou fascinam a humanidade em todos os lugares e em todos tempos. Como exemplo de narrativas consagradas temos as histórias narradas por Sherazade em "As mil e uma noites"; os contos de fadas dos irmãos Grimm, Hans Christian Andersen, Perrault; as histórias do Rei Artur; Tristão e Isolda entre outras. E aponta a importância do ato de ler e de ouvir no processo de criação:

"Como diziam os antigos gregos, Mnemósine, a musa da memória, é a mãe de toda criação. Narrativas pertencem ao grande mar formado pelo rio de histórias, como indica a palavra sânscrita Katahâsaritsâgara. Quanto mais se bebe nessa fonte, mais histórias poderão nascer no imaginário dos jovens leitores, e suas próprias ondas poderão se formar desses rios vindos de diferentes épocas e lugares." (Prieto, 1999)
A imagem ao lado mostra a deusa da memória Mnemósine, pintura de Dante Gabriel Rosseti.

Como diziam os antigos sábios da filosofia oriental "Imaginar é viver"; "porém, é preciso saber transitar por meio das vias imaginárias".
Busquemos as histórias que nos possuem...